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domingo, 19 de abril de 2009

O Diálogo de Si Mesmo (parteI)

O fim de tarde era tranqüilo. A atmosfera leve, e a brisa fresca que dava a impressão da temperatura ser mais baixa do que era, tornava o ambiente inconfundivelmente pacífico. O sol batendo no horizonte espalhando uma luz alaranjada em torno de todo o parque revelava a corrida das incansáveis crianças, a conversa das mães sentadas nos bancos, e a grama verde, porém agora possuindo um dégradé entre o esverdeado e o laranja solar.
“Tudo isso é tão belo... Mas por quê? Por que uma flor no ápice de sua vivacidade é tão inspiradora, e o seu oposto desprezado? Ou o aroma das rosas tão buscado, e o mau cheiro repulsivo?” Todas essas questões surgiam de um homem; alguém anônimo sentado em um dos bancos entre o lago e as árvores. Em seus pensamentos profundos discutia consigo mesmo; sim, isso mesmo, dentro de si tentava encontrar a resposta, semelhante a um autodidata que procura em algum lugar o aprendizado.
Mas como dizia; a sua discussão parecia produzir frutos, portanto apenas parecia. O seu corpo não era mais o seu corpo, era uma sala, um salão mal iluminado com quatro senhores, não tão senhores assim. Cada um com uma opinião diferente, mas todos com algo em comum: não conseguiam concluir as suas idéias sem ao menos se contradizer uma vez.
O primeiro dizia que o mundo não é o que vemos, e precisamos nos contentar com a nossa situação. O segundo dizia que o mundo não é o que vemos, não podemos fazer nada para mudar isso, mas se acomodar com tal coisa é um grande erro. O terceiro ainda ia além. Mesmo não acreditando na predestinação afirmava que somos programados para fazer o que fazemos. Por fim, o quarto, com toda veemência afirmava: “Estamos em uma prisão!”
Como todos eram homens extremamente cultos, o que precisavam prevalecer eram as boas maneiras e a compreensão. Com o objetivo de aprender um com o ponto de vista do outro, achou-se justo que a vez de cada um se expressar fosse tirada na sorte. A ordem ficou a seguinte: Primeiro o senhor quatro, segundo o senhor um, terceiro o senhor dois e quarto o senhor três.

(Continua...

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