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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Roubo psicológico

Este texto é em demasia grande, e neste caso - como sempre aconselho - copie-o e imprima. A não ser que tenha paciência para ler no pc. Boa leitura.

Hoje à noitinha, 7 de novembro de 08, posso tecnicamente dizer que fui roubado. Mas antes de irmos diretamente ao assunto, deixe-me ser um tanto que poético...
Já é noite, a brisa serena revela dolorosamente o cansaço que pesa sobre meu corpo. Na rua, sem saber que existe uma pequena fila indiana esperando a chegada dos chamados carros de lotação, me recosto em uma coluna de ferro que parece ser introduzida em meu peito, de tão gélida a sua essência. Eu, com o objetivo de ingressar em um desses peculiares veículos que a pouco por mim eram desconhecidos, vem então em minha direção uma alma; uma alma que muitos definiriam como penada. Através de seus trajes provenientes do além ao qual que meus olhos pareciam figurar, podia jurar que via uma mulher, um tanto rasteira; e de foice um jovem, melhor, uma criança na “flor-da-infância”. Com seus passos magros puxava uma ventania, ventania de cavaleiros armados e cavalos possuídos de terror e carnificina. Seus olhos, os dela, pesadamente pairaram sobre os meus, como se preparassem o terreno para um posterior ataque. Seu tanque-de-guerra lentamente abriu, revelando uma maciça espada avermelhada de sangue pronunciando dezenas de palavras, cada uma altamente embebida de aleives e falsidades. Suas mentiras custavam de serem levadas pelo forte vento noturno, eram razoavelmente pesadas para comprimir o meu leve corpo contra um mar de lembranças e emaranhados psicológicos. Pressionando-me a contribuir com o seu “venerável” pedido ― comedidas contribuições― vi a minha pessoa inserida em labirintos sem fim. Aqueles olhos! Ah, aqueles olhos... Eles me possuíam. Como tão simplório ser poderia possuir tão elevada astúcia de prender o seu alvo em seus próprios ideais, armadilhando tão complexas cordas indesatáveis!
Meti a pavorosa mão no bolso sem fim, encontrei ali moedas, e ainda possuído pelo espírito maligno, nem ao menos senti a necessidade de contar. Mas ao desvanecer-se o domínio possessivo, na transferência da força vital motora de todo o ganho, meus falhos reflexos puderam ver os anseios do filho do iníquo. Neste momento meus olhos estavam virados para a idealizadora do intento, mas isso não impediu que o meu segundo par de olhos notassem o escape dos sentimentos de “auto-culpa” por uma minúscula brecha, quase que imperceptível. Já era tarde. A pavorosa mulher agradeceu sarcasticamente levando com ela um leve sorriso que seria obscuro a olhos destreinados. E então tudo acabou fazendo sentido: A mulher ter surgimento do nada; o fato de eu ter sido a sua única escolha; além das desculpas esfarrapadas, que apenas serviram de aperitivos para o prato principal.
Leonardo, nascido na vila de Vinci, já bem dizia que os ‘olhos eram [e são] a janela da alma’. Sei que isso ao qual passei servirá como um acréscimo na minha lista de experiências, mas também sei que terei de eternamente conviver junto a idéia de que o tolo aprende com os seus próprios erros, mas o sábio com os erros dos outros.

Primeiramente, gostaria de me desculpar por cortar, com este parágrafo, todo o ar de poesia inserido nas minhas iniciais palavras. Mas o fato é que toda a poesia que aqui pus é excessivamente pouca para o que realmente aconteceu. Se vocês, prezados leitores, estivessem em meu lugar veriam, sentiriam, absorveriam toda a situação. Veria como foi usada grande astúcia da mulher que se se dirigiu a mim, ela tinha um olhar como nenhuma outra mulher. Mas limito-me até aqui, pois lembranças não quero que se revoltem, ou teria que suportar males nunca antes suportados.

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